Associação Catarinense de Preservação da Natureza
Blumenau, 19 de Julho de 2019

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Arara-azul usa 'abridor de nozes', diz estudo

.: 06 / Jul / 2007

Todo mundo sabe que elas são lindas e estão ameaçadas de extinção, mas as araras-azuis (Anodorhynchus hyacinthinus) acabam de ganhar um novo motivo para atrair a atenção de cientistas e leigos. Especialistas em comportamento animal da USP - Universidade de São Paulo estão incluindo os bichos no seleto mas crescente grupo de espécies que usam alguma forma de tecnologia - no caso delas, o que poderia ser comparado vagamente a um tipo de "abridor de nozes".

Os bichos são donos de um dos maiores e mais fortes bicos entre as aves. No entanto, costumam se valer de pedaços de madeira, folhas ou até de materiais mais inusitados durante a quebra e o consumo de certos coquinhos muito duros, mas também bastante nutritivos, abundantes em seu ambiente natural. (Os coquinhos em questão são de árvores como acuri e bocaiúva.) A arte de "abrir latas" entre as araras-azuis parece começar como uma tendência inata entre os filhotes e passa a ser aperfeiçoada com a idade, revela o trabalho de Andressa Borsari e Eduardo Ottoni, do Instituto de Psicologia da USP.

"Esses coquinhos são duríssimos - outras espécies de araras, por exemplo, não são capazes de abri-los", contou Borsari ao G1. "As araras azuis têm um bico e uma força enormes: são especialistas em abrir coquinhos de palmeira. Alguns pesquisadores acreditam que seja um caso de co-evolução entre araras e palmeiras: elas predando coquinhos com seus bicos grandes; palmeiras com coquinhos cada vez mais duros, selecionando araras com bicos ainda maiores, e assim por diante. Apesar disso, elas podem usar ferramentas durante a quebra, o que deve conferir alguma vantagem, ainda que elas sejam capazes de abrir os cocos sem elas."

Borsari está dedicando seu doutorado, realizado sob orientação de Ottoni, a entender exatamente qual é essa vantagem. Para isso, a pesquisadora passou uma temporada no Pantanal, observando os bichos em seu habitat, e bisbilhotou o aprendizado de um bebê-arara criado por seus pais em cativeiro.

Algumas das observações mais detalhadas, no entanto, vieram do estudo de um criadouro em Juquitiba, na Grande São Paulo. Os pesquisadores acompanharham as peripécias de dois adultos (o casal Barney e Saphira) e seus quatro filhotes (Hillary, Bella, Luiza e Simon), separados dos pais no nascimento e criados por humanos. Os pesquisadores observaram os bichos se alimentarem, oferecendo também a eles coquinhos de indaiá, que são do mesmo tipo irredutível normalmente devorado pelas araras-azuis selvagens.

Com esse não, é caca - As observações sugerem que os bichos têm verdadeira compulsão por colocar coisas não-comestíveis no bico enquanto estão se alimentando - as "crianças", em especial, chegavam a usar pedaços de plástico, cadarços de sapato e até fezes. Já os adultos, mais comedidos, limitavam-se a pedaços de madeira e folhas.

Nos bichos mais hábeis, que conseguiram comer os coquinhos de indaiá (além das araras maduras, também os jovens Hillary e Simon), a técnica funcionava mais ou menos assim: o coquinho era posicionado sob a parte de cima do bico, e o bicho começava a fazer uma ranhura nele com a parte de baixo do bico. O animal arrancava um pedaço de madeira de seu poleiro, usava a língua para posicioná-lo debaixo da parte de cima do bico e, com a pata, empurrava o coquinho contra a madeira. Todos os casos nos quais os coquinhos foram abertos com sucesso envolveram o uso de ferramentas em algum momento.

O papel exato do "abridor", porém, ainda precisa ser elucidado em outros experimentos. Ele pode simplesmente impedir que o coquinho fique girando no bico, diminuir o impacto da quebra ou, feito uma alavanca, multiplicar o impacto do já poderoso bico das araras-azuis.

Outro fator interessante a ser estudado é o social: "Elas são aves que se alimentam em grupo, e os filhotes acompanham os pais durante mais de um ano, o que poderia criar oportunidades para o aprendizado social (da quebra)", diz Borsari. Talvez o gosto inato por enfiar tudo quanto é tipo de coisa no bico seja complementado pela observação da técnica mais refinada dos pais.

Outra questão interessante é a conjunção de um recurso alimentar de difícil acesso com a "invenção" da técnica para utilizá-lo. É algo que parece estar presente em outros animais tecnológicos, como humanos, chimpanzés, macacos-pregos e até golfinhos. Mas como as araras-azuis, de certa forma, já vêm com abridor embutido "de fábrica" (seu superbico), também é cedo para dizer se essa é a razão para que elas tenham "inventado" tal tecnologia. 

Fonte: Globo Online


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