Associação Catarinense de Preservação da Natureza
Blumenau, 23 de Outubro de 2019

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Já não existem mares intocados pelo homem, diz estudo

.: 15 / Fev / 2008

Os oceanos cobrem mais de 70% da superfície da Terra e cada trecho já foi afetado, de alguma forma, pela ação humana.  Pesquisadores estudando 17 diferentes atividades - da pesca à poluição - compilaram um mapa mostrando como e onde a humanidade teve impacto nos mares. No mapa, quanto mais avermelhada a cor, maiores os efeitos da intervenção humana.

O atlas do impacto humano nos oceanos foi lançado durante a reunião anual da Associação para o Avanço da Ciência dos EUA (AAAS), realizado em Boston, e publicado na edição desta semana da revista Science.

"Nossos resultados mostram que, quando esses e outros impactos individuais são somados, o quadro geral fica muito pior do que, imagino, a maioria das pessoas espera. Certamente foi uma surpresa para mim", disse o principal autor do trabalho, Ben Halpern, do Centro Nacional de Análise e Síntese Ecológica da Universidade ad Califórnia, Santa Bárbara.

As áreas mais afetadas incluem o Mar do Norte, os Mares do Sul e do Leste da China, a costa leste da América do Norte, o Mediterrâneo, o Mar Vermelho, o Golfo Pérsico, o Mar de Bering e partes do Pacífico. As áreas menos afetadas são as imediações dos pólos.

No entanto, os pesquisadores disseram que é provável que a atividade humana passe a atingir os pólos cada vez mais, à medida que a mudança climática aquece essas áreas.

O dano provocado inclui redução na população de peixes e outros animais marinhos, problemas nos recifes de coral, nos leitos de algas marinhas, mangues, recifes rochosos, plataformas e montanhas submarinas.

"Há duas coisas que não prevíamos", disse Halpern. "Cada pedacinho dos oceanos foi afetado por pelo menos uma atividade humana. Pensávamos que haveria lugares onde a humanidade simplesmente ainda não tinha chegado". Além disso, "mais de 40% dos mares foram afetados por diversas atividades diferentes. O oceano não está passando bem".

Mas, disse ele, há espaço para esperança. "Existem algumas áreas em condição muito boa. São pequenas e espalhadas, mas sofreram um impacto bem pequeno", afirmou. "Isso sugere que, com esforço de todos, podemos tentar proteger esses pedaços e usá-los como um padrão para o que gostaríamos que o restante dos oceanos fosse".

A equipe de pesquisas de 19 membros mapeou os impactos de cada atividade nos oceanos e, por meio de sobreposições dos mapas, chegou às áreas mais afetadas.

Os impactos estudados incluem os efeitos de plataformas de petróleo, navegação comercial, invasão de espécies, impactos da mudança climática, vários tipos de pesca e de poluição.

Fonte: Estadão Online


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