Operação de fiscalização, apoiada pelo WWF-Brasil, flagra roubo de madeira, grilagem e garimpo dentro da Terra Indígena Uru-eu-wau-wau.Visita à Floresta Nacional do Bom Futuro constata desmatamento, pecuarização e atividade madeireira ilegal na unidade de conservação
As áreas protegidas no estado de Rondônia vivem uma situação crítica, ameaçadas por invasões e atividades ilegais como exploração madeireira, garimpo e pecuária. Uma equipe do WWF-Brasil esteve na Terra Indígena Uru-eu-wau-wau e na Floresta Nacional do Bom Futuro e presenciou a ação de desmatadores que não respeitam sequer as fronteiras das áreas protegidas, cuja conservação está prevista em legislação federal.
Acompanhamos uma ação de fiscalização na Terra Indígena Uru-eu-wau-wau, que resultou em prisões de infratores e apreensões de veículos e equipamentos. Também visitamos a Floresta Nacional do Bom Futuro, que tem cerca de um terço de sua área desmatada e é habitada por milhares de pessoas.
A fiscalização na Terra Indígena Uru-eu-wau-wau, coordenada por Associação Etnoambiental Kanindé, Fundação Nacional do Índio (Funai), Associação do Povo Indigena Uru-eu-wau-wau, Associação do Povo Indígena Amondawa, Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam) e Polícia Ambiental de Rondônia, teve um saldo impressionante: em 15 dias de operação foram efetuadas 29 prisões, por roubo de madeira, garimpo, invasão e grilagem de terras.
Foram apreendidos com infratores, durante a ação, um caminhão com 52 ripas de castanheira (árvore que, quando nativa, tem corte, transporte e venda proibidos em todo o território nacional), quatro motocicletas, três motosserras, três espingardas e um revólver calibre 38.
Israel Vale, representante da ONG Kanindé, avaliou a ação como positiva, por ter demonstrado que a situação da Terra Indígena Uru-eu-wau-wau continua preocupante. “Desarticulamos em tempo recorde os grileiros, além de marcarmos presença naquela região, desencorajando os infratores a cometer novas invasões”, disse. Dentre os invasores da Terra Indígena encontram-se grandes proprietários de terra, que extraem madeira e criam gado, dentre outras atividades.
O lado negativo da ação de fiscalização ficou por conta da impunidade. Na primeira prisão, efetuada no dia 16 de junho, o infrator ficou menos de 24 horas detido, recebendo de volta a motocicleta que utilizava. Dos 26 invasores presos dia 23 de junho, apenas dois permaneceram na cadeia.
Israel Vale destaca que a situação crítica constatada pela fiscalização é apenas mais um exemplo do descaso do poder público em relação às áreas protegidas de Rondônia. “O dia a dia na Terra Indígena Uru-eu-wau-wau é marcado por grilagem, invasões, roubo de madeira e ameaças aos indígenas, que são os verdadeiros donos dali. Os crimes ambientais são uma realidade recorrente em diversas regiões do estado”, afirmou.
Em abril de 2007, o WWF-Brasil, em matéria publicada na internet, alertou para ameaças a unidades de conservação em Rondônia, citando como um dos exemplos a Terra Indígena Uru-eu-wau-wau.
Floresta Nacional do Bom Futuro
Já nos arredores da Floresta Nacional do Bom Futuro, percebe-se a presença de dezenas de madeireiras. Nas estradas, os veículos que predominam são os chamados jericos, montados a partir de peças de carros, tratores e caminhões. São sem licenciamento, que normalmente não possuem faróis, luzes ou qualquer outro equipamento de segurança. Transportam madeira de forma precária e clandestina, colocando em risco a vida de pedestres e motoristas.
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