| Diagnóstico
Ambiental Rápido da RPPN Caetezal, Joinville-SC –
Fauna & Flora
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Equipe:
Biólogo Célio Testoni - Mastofauna
Bióloga Cintia G. Gruener - Mastofauna
Bióloga Cláudia Sabrine Brandt - Avifauna
Bióloga Fabiana Dallacorte - Anurofauna
Biólogo Guilherme Adolfo Vegini – Mastofauna
Biólogo Mario Junior Saviato – Ictiofauna
Bióloga Marcela – Flora
Bióloga Sheila – Flora
Órgão financiador: S.O.S.
Mata Atlântica
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Philander
frenata, espécie coletada na RPPN Caetezal, popularmente
conhecido como cuíca-de-quatro-olhos.
Foto: Cintia Gizele Gruener. |
Em maio de 2004 juntou-se à ACAPRENA uma
equipe de Biólogos e uma Assistente Social que tinham como
objetivo principal a criação de uma Comissão
de Projetos. Hoje, esta equipe composta por pesquisadores busca
desenvolver projetos, de cunho sócioambiental e de ecologia
aplicada para a conservação do meio ambiente, financiados
por órgãos relacionados ao meio ambiente e empresas
privadas.
Por intermédio da Dra. Lúcia Sevegnani
(Pró Reitora de Extensão da FURB) foi solicitado,
pelo proprietário Paulo Tajes Lindner, a equipe que desenvolvesse
um trabalho de levantamento do meio biótico da RPPN Caetezal.
O proprietário teve por intuito desenvolver pesquisas científicas
no local como forma de fomentar verbas para a criação
do Plano de Manejo da Unidade e também como forma de frear
as ações antrópicas no local, como a criação
de uma PCH.
Desta forma o proprietário com o projeto
em mãos solicitou verbas da ONG S.O.S Mata Atlântica.
Estes que receberam o projeto com grandes elogios.
O projeto foi aprovado no mês de julho de
2004 e esperou para ser realizado em campo por seis meses até
a liberação das autorizações de coleta
e transporte de animais e plantas do IBAMA (nº 0215/2004 –
CGFAU/LIC). Com a licença do IBAMA em mãos a equipe
juntamente com o Sr. Paulo Lindner realizou o diagnóstico
em campo, que foi realizado entre os dias 05-09 de fevereiro de
2005.
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Espécie
de anfíbio (Hyla albosignata) que ocorre em
riachos de águas correntes da RPPN Caetezal. Foto:
Cintia Gizele Gruener.
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A atual RPPN Caetezal foi reconhecida como “Refúgio
Particular de Animais Nativos”, através da Portaria
56/79-P, de 09 de fevereiro de 1979. A solicitação
é datada de 21 de novembro de 1977, baseada na Portaria 327/77
do I.B.D.F. De acordo com a Portaria nº 168 de 16 de novembro
de 2001 o Caetezal passa a ser, definitivamente, reconhecido como
RPPN. Oficiosamente (na escritura e no registro de imóveis),
com uma área de 4.757,09 há passiva de aumentar com
novas medições.
A RPPN Caetazal está localizada na Serra
Dona Francisca (Serra do Mar), no município de Joinville,
região nordeste do Estado de Santa Catarina, a 800 m.s.n.m
e conta com o ecossistema de Floresta Ombrófila Densa Montana,
Floresta de Transição (Ombrófila Densa para
Mista) e Campos de altitude, localizados na Serra Queimada, com
altitudes de 1.135 m.s.n.m. Possui cachoeiras com mais de 350 metros
de queda.
Foram diagnosticadas 129 espécies da Flora
e dentre estas espécies o Palmito (Euterpe edulis)
se destaca em grande densidade no sub-bosque da floresta, denotando
a grande conservação da floresta local. Segundo as
Biólogas pesquisadoras Sheila e Marcela são registradas
cinco espécies vegetais ameaçadas de extinção
(Aspidosperma australe, Dicksonia sellowiana, Ocotea acyphilla,
Ocotea catharinensis e Ocotea odorifera). As pesquisadoras
salientam a importância das florestas de montanha que abrigam
nascentes e cursos d´água, importantes na manutenção
da qualidade e quantidade da água, além de proporcionarem
condições para a sobrevivência da fauna local.
Foram registradas 206 espécies de aves e
entre estas de destacam espécies frugívoras de médio
e grande porte, uma vez que este grupo é considerado atualmente
o mais ameaçado de extinção. Dentre estas espécies
estão o Jacuaçu (Penelope obscura), o Tucano-de-bico-verde
(Ramphastos dicolorus), o Corocochó (Carponis
cucullata) e a Araponga (Procnias nudicollis). Segundo
a Bióloga pesquisadora da Avifauna Claudia S. Brandt 29.33%
das espécies registradas para a RPPN Caetezal são
endêmicas de Floresta Atlântica, isto quer dizer que
só existem neste Bioma.
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Quedas
do rio Cubatão no interior da RPPN Caetezal. Foto:
Cintia Gizele Gruener.
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A Bióloga pesquisadora da Mastofauna Cíntia
G. Gruener levantou 7 espécies de morcegos, duas destas espécies
(Artibeus fimbriatus e Chiroderma doriae) são endêmicas
de Floresta Atlântica e uma delas endêmica das florestas
do sul do Brasil. Dentre as sete espécies seis são
espécies dispersoras de sementes, por serem frugívoras,
bem como se alimentam de insetos e de polém de plantas, denotando
a imensa importância deste grupo para a manutenção
e recuperação dos ambientes florestais da Unidade
de Conservação. Para confirmar estes dados a pesquisadora
recolheu as fezes destes animais, quando coletados em redes de neblina,
e confirmou que as sementes encontradas eram de espécies
vegetais pioneiras, isso quer dizer que se estabelecem por primeiro
em áreas de recuperação ambiental.
Uma das metodologias utilizadas pela equipe consiste
em entrevistar moradores próximos a área estudada,
esta metodologia foi possível devido ao bom relacionamento
do Sr. Paulo Lindner com o entorno de sua área. Ele registrou
espécies importantes como o Bugio (Allouatta guariba)
ameaçada de extinção, o Macaco-prego (Cebus
apella), a Lontra (Lontra longicaudis) também
ameaçada de extinção em algumas listas estaduais
de fauna ameaçadas, como também o Gato-do-mato (Leopardus
tigrinus). Outro felino registrado por entrevista foi o Puma
(Puma concolor) também ameaçado de extinção
por decorrência da caça e destruição
do hábitat. Foi registrado pelo Biólogo pesquisador
da Mastofuna Célio Testoni o felino chamado de Jaguarundi
(Herpailurus yaguarondi) cuja espécie também
encontra-se ameaçada de extinção em três
estados brasileiros.
Segundo os Biólogos da Mastofauna Célio
Testoni, Guilherme Vegini e Cíntia Gruener foram registrados
doze espécies ameaçadas de extinção
e dez espécies endêmicas de Floresta Atlântica,
além de revelar novas ocorrências de espécies
de morcegos para o Estado de Santa Catarina. Como exemplo o mamífero
de pequeno-porte Oxymicterus judex que é uma espécie
endêmica de Floresta Atlântica e o Rato-da-taquara (Kannabateomys
amblyonyx) que é ameaçado de extinção
devido à alteração do hábitat.
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