Caminhada marcou lançamento do plano de manejo
.: 27 / Mar / 2006

Caminhada pelo Parque Nacional Serra do Itajaí marcou o lançamento do plano de manejo para a área

Do mirante, a 635 metros acima do nível do mar, é possível ver morros, picos, vales e praias.


BLUMENAU - A 685 metros acima do nível do Oceano Atlântico avistam-se morros, picos e vales cobertos de floresta até a linha do horizonte. As várias tonalidades de verde identificam áreas específicas do Parque Nacional da Serra do Itajaí, mais ou menos preservadas - algumas até intocadas. Estas diferenças no solo, água, fauna, flora e a influência do homem em cada pedaço de mata, serão desvendadas por um levantamento chamado plano de manejo. No sábado, uma caminhada até o primeiro mirante construído no interior do parque marcou o lançamento do estudo.

Em algum lugar entre as montanhas está o limite com Indaial. Do outro lado, ao longe, as praias, de onde sopra um vento constante. Entre dois morros, uma pontinha do Distrito do Garcia parece uma pequena vila. O restante da cidade de Blumenau fica encoberto pelo Morro do Spitzkopf, visto de um ângulo diferente, por trás. O exercício de localização ajuda a esquecer o cansaço, após os cerca de 40 minutos de subida íngreme até o topo do Morro do Sapo, no interior do Parque das Nascentes, também abrangido pela área de proteção federal.

Cerca de 15 pessoas, com disposição para caminhada na manhã nublada de sábado, subiram até o mirante de madeira, erguido no ano passado. Não importa a direção para onde se caminha, um barulho ininterrupto de água corrente faz jus ao nome do lugar. A terra é extremamente fofa e úmida. Ao longo dos 2,1 mil metros de trilha, têm-se a impressão de estar pisando sobre um colchão formado por folhas e galhos. O biólogo e guia na subida Carlos Grippa, 26 anos, explica que é mais ou menos isso que acontece.

- Aqui embaixo tem um tanto assim de terra repleta de húmus, só de folhas em decomposição - explica, medindo com as mãos uns 80 centímetros.

A luz do sol abre espaço entre as copas das árvores menos densas, sinal de que falta pouco. A chegada é tão gratificante quanto surpreendente. A imensidão verde que resistiu à degradação impressiona. Mais ainda quando o biólogo Lauro Bacca informa que toda aquela terra não chega a 25% dos 57 mil hectares do Parque Serra do Itajaí.



Uso do parque será definido após levantamento de dois anos

Durante dois anos, cerca de 25 profissionais estudarão o que existe no parque e como a população do entorno convive com a floresta vizinha.

- Todas as informações que colhermos serão usadas para a regulamentação do parque. Há zonas que vão ser utilizadas só para a manutenção da biodiversidade. Em outras, haverá pesquisa, camping, turismo, esportes radicais e uma infinidade de atividades - explicou a bióloga e coordenadora do plano de manejo, Karin Schacht.

Segundo ela, já existem indústrias da região interessadas em patrocinar pesquisas e a estrutura para visitantes. Porém, os investimentos não podem ser feitos sem a conclusão do plano de manejo.



Plano de manejo
- O que é: levantamento total do parque, para definir o futuro uso da área.
- Quem fará: cerca de 25 profissionais, coordenados por uma equipe da Associação Catarinense de Preservação da Natureza (Acaprena).
- Quando ficará pronto: o levantamento será concluído em dois anos.
- Quanto custará: R$ 500 mil, vindos do Ministério do Meio Ambiente.




Fonte: Jornal de Santa Catarina
Plano de Manejo do Parque Nacional da Serra de Itajaí
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