DIAGNÓSTICO PRELIMINAR DOS ASPECTOS HISTÓRICOS DO PARQUE NACIONAL DA SERRA DO ITAJAÍ (PNSI)
Lauro Eduardo Bacca
Ao longo dos anos, a partir da ocupação européia, a Mata Atlântica e seus ecossistemas associados foram sendo irracionalmente destruídos na proporção em que foi sendo ocupada. As Unidades de Conservação são peças fundamentais na reversão, ou, pelo menos, estancamento desse quadro. Tendo essa situação em vista, criou-se, em 2004, o Parque Nacional da Serra do Itajaí, em Santa Catarina, que abriga significativa porção dos remanescentes florestais do Bioma Mata Atlântica no Brasil. O objetivo desse Parque Nacional é o de proteger os ecossistemas dos 57.374 hectares que o compõem, mais a área do entorno.
Para tanto, necessita-se de um Plano de Manejo, previsto
pela Lei 9985/00, ou Lei do SNUC – Sistema Nacional de Unidades
de Conservação. Dentre as atividades do Plano de Manejo,
há a realização de um breve levantamento Histórico-cultural
da área.
O conhecimento da história e da cultura da região permitirá
uma retrospectiva da colonização do local, partindo desde
o contexto que levou os moradores a procurar a área, passando
pelos seus hábitos, crenças e fatos que ali ocorreram
e tornar-se-ão importantes tanto para saber como foi o desenvolvimento
da comunidade e interferência na natureza, passando por informações
úteis às demais equipes, até a previsão
de pontos interessantes para visitação turística.
Foi realizado levantamento bibliográfico rápido em Bibliotecas e outras fontes de algumas das cidades abrangidas pelo Parque Nacional da Serra do Itajaí, bem como em Prefeituras e seus Arquivos Históricos (Figura 01) e na biblioteca da FURB. Houve, também, visitas à acervos históricos pessoais, além da organização de documentos, anotações pessoais, recortes de jornais, fitas K-7 referentes a manifestações públicas sobre o Parque Nacional da Serra do Itajaí.

Figura 01 - Foto de Festa da Sociedade Atiradores Guabirubense, em 1931.
A pesquisa de fatos, histórias e dados deu-se também por meio de entrevistas orais (Figura 02), geralmente com pessoas mais idosas, conhecedoras da região do atual Parque Nacional: moradores antigos, ex-moradores, madeireiros, proprietários de terras, etc.
Foram realizadas 24 entrevistas e resgatadas outras três anteriores, até o dia 03/07/2006.
Figura 02 - Sr. Ari Molinari, segundo a partir da esquerda, entrevistado,
e família com o entrevistador Lauro E. Bacca, segundo a partir
da direita, na localidade de Faxinal do Bepe, onde chegou com seu pai
pioneiramente aos 14 anos em 1951.
Como consideração preliminar, confirma-se neste trabalho as citações da literatura histórica de que a atividade madeireira está bem presente nas regiões e que esta atividade constava entre as primeiras instalações físicas das frentes de colonização, praticamente concomitantes às atividades de derrubada das matas para abertura de clareiras e instalação de lavouras e pastagens.
O presente resgate rápido de história oral coincide com um período ainda artesanal e não mecanizado da exploração madeireira e com o advento e transição para a mecanização florestal. Se antes a ocupação dos espaços já fora rápida, a exploração e destruição de florestas se acelerou significativamente a partir de então. O maior impacto, com a mecanização e conseqüente abertura de estradas, ocorre a partir da década de 1960, intensificando-se nas décadas de 1980 e 1990, sendo totalmente interrompido com o Decreto Presidencial de no. 750, no início de 1993.
As entrevistas também confirmaram quão intensamente
o habito da caça está envolvido com a cultura local, pois,
para os primeiros moradores, era um meio de sobrevivência que
permaneceu culturalmente como meio de lazer nas horas de folga. Tais
atividades de caça foram intensas, perdurando até recentemente,
resultando que em apenas algumas décadas, algumas espécies
desapareceram ou estão muito raras no interior e arredores do
Parque Nacional. Em tempos mais recentes, com a drástica diminuição
de florestas nativas no Estado de Santa Catarina, os praticantes, todos
ilegais, da caça esportiva ou mesmo comercial, são, proporcionalmente
à atual população, em muito menor número
do que os que a praticavam até há poucas décadas.,
porém concentram-se nos poucos hábitats originais que
restaram, causando um impacto ambiental que continua significativo.
