DESTAQUES
Voltar

Excursão à Joinville, 12 e 13 de setembro de 2026



A Acaprena realizou excursão à Joinville para visitar e conhecer, no dia 12 de setembro de 2026, o Museu Arqueológico de Sambaqui; o Museu Nacional de Imigração e Colonização; a Rua das Palmeiras; o Instituto Internacional Juarez Machado e o Zoobotânico e mirante; e no dia 13, para visitar e conhecer a região dos Espinheiros e o trapiche flutuante; o sambaqui Morro do Ouro, anexo ao Parque da Cidade – Setor Sambaqui; o Parque Caieiras e o Parque Hemero.

Os registros dos primeiros habitantes da região de Joinville datam de mais de 6.800 anos. Os indícios de sua presença encontram-se nos vários sambaquis e sítios arqueológicos. Indígenas da etnia tupi-guarani, especificamente, carijós, ainda habitavam as cercanias quando chegaram os primeiros imigrantes europeus. No Séc. XVIII estabeleceram-se, na região, famílias de origem portuguesa, que aí passaram a cultivar mandioca, cana-de-açúcar, arroz e milho, entre outros produtos. Joinville, cujo primeiro nome era Colônia Dona Francisca, foi fundada por imigrantes alemães, suíços e noruegueses em 09 de março de 1851 sobre manguezais e é a maior cidade, em termos populacionais, de Santa Catarina.

Dona Francisca, ou Francisca Carolina Joana Carlota Leopoldina Romana Xavier de Paula Micaela Gabriela Rafaela Gonzaga, era filha de D. Pedro I e de D. Maria Leopoldina. Após o casamento com Francisco (François Ferdinand d’Orléans), Príncipe de Joinville, filho do rei francês Luís Filipe I, tornou-se integrante da Casa de Orleans. Como dote de casamento, Francisco recebeu terras no sul do Brasil, que jamais visitou, pois viveu na corte francesa com Francisca. Para administrar estas terras, designou seu administrador de bens e procurador Frédéric Brüstlein, que posteriormente foi deputado provincial de Santa Catarina, diretor da Colônia Dona Francisca, presidente da Câmara Municipal e depois Superintendente (prefeito) de Joinville.

O Museu Arqueológico de Sambaqui de Joinville é um espaço de memória e de produção de conhecimento sobre as primeiras populações de pescadores-caçadores-coletores que se distribuíram pela América do Sul em geral, e pela região norte de Santa Catarina em particular, onde se pode contatar com o modo de vida e a cultura desses povos.

O acervo original foi reunido por Guilherme (ou Wilhelm?) Tiburtius, um estudioso de sambaquis, que pesquisou, registrou, coletou e classificou diversos artefatos e sepultamentos de sítios que estavam sendo destruídos, juntando mais de doze mil peças, em suas buscas arqueológicas realizadas, principalmente, nos sambaquis existentes na região de Joinville. Reunindo-os, vendeu-os para o município em 1963. Em 22 de dezembro de 1969, foi criado o museu, em edificação provisória e em 1972 foi construída sua sede definitiva. Desde então, o museu passou a atuar na preservação do patrimônio arqueológico do município.

Tiburtius nasceu em Berlim, em 1892 e se radicou em Curitiba, em 1910. Mesmo sem formação acadêmica em arqueologia, foi um grande estudioso, e reuniu e organizou materiais provenientes dos sambaquis, entre os anos de 1940 e 1960, período em que estes sítios arqueológicos se encontravam em franco processo de destruição e ainda não contavam com proteção legal.

Preocupou-se em colecionar peças arqueológicas retiradas, principalmente, de sambaquis de Santa Catarina, muitos dos quais ele mesmo pesquisou, registrando, criteriosamente, detalhes dessas pesquisas em várias publicações e manuscritos. Seus registros em fichas e desenhos são preciosos ainda hoje para as pesquisas sobre sambaquis.

No Museu Arqueológico de Sambaqui fomos recepcionados pelo guia Guaracy Vieira e em seguida, recebidos pelo historiador e arqueólogo Mateus Roberto Carle, que fez uma boa explanação sobre a história dos sambaquis da região de Joinville.

Sambaqui é palavra de etimologia tupi: tamba = concha + ki = monte.

Segundo informações extraídas de seu sítio eletrônico, o Museu Arqueológico de Sambaqui é um dos mais importantes museus do Brasil na área de arqueologia pré-colonial e guarda acervo com mais de 100.000 artefatos que evidenciam a cultura e o modo de vida do povo sambaquiano. Entre os itens do acervo estão ossos humanos e de animais, pontas de flechas esculpidas em quartzo, utensílios domésticos e ferramentas de pesca e caça.

Estão abertas ao público duas exposições permanentes:

Acervos do Sambaqui: Coisas a Olhar, que apresenta objetos utilizados pelos sambaquianos e povos indígenas, incluindo esqueletos encontrados nos sambaquis;

Sambaquis: Montes de Conchas, Montes de Histórias, que conta a trajetória destes povos até chegarem à região de Joinville.

O sambaqui é uma elevação construída com restos de animais (conchas, ossos de peixes, aves, mamíferos e répteis), dispostos junto com esqueletos humanos, restos de fogueiras e, eventualmente, evidências de habitação. Os sepultamentos humanos geralmente são cobertos com conchas para que o material calcário preserve o que foi ali deitado. Há ainda estatuetas (zoólitos), que geralmente reproduzem animais e cujo acabamento indica aprimorado sentido estético. Artefatos utilizados para pesca, caça e preparo de alimentos e corantes também aparecem nos sítios que variam de dimensão. Os maiores sambaquis, com mais de 30 metros de altura, estão em Santa Catarina, em locais estratégicos da costa brasileira, próximo a enseadas, desembocadura de rios ou canais, lagunas, restingas, manguezais e florestas.

O historiador Mateus mostrou e explicou vários aspectos das peças arqueológicas expostas e comentou sobre as idades e tempos dos objetos que compõem o acervo museístico, já que nos espaços não há quaisquer referências a datas. Mencionou que a construção dos sambaquis não é resultado de restos de conchas e moluscos consumidos pelos nativos, mas elevações artificialmente elaboradas para servirem de base para outras atividades, tanto funerárias, quanto espirituais. Explicou que a identificação dos sexos humanos ocorre por características únicas, tanto nas mandíbulas inferiores, face posterior dos crânios, como pela conformação das bacias pélvicas. Também explanou sobre a identificação das diferentes idades dos sambaquianos e que análises microscópicas de dentes dos sambaquianos da Bacia da Babitonga auxiliaram a determinar sua dieta alimentária.


Um dos primeiros grupos humanos a viver na baía da Babitonga foi de pescadores-coletores-caçadores, conhecidos por sambaquianos, que tinham como hábito construir montes, alguns monumentais, construídos predominantemente de conchas e areia, sendo que a intencionalidade para a sua estruturação é incerta [...] as construções não deveriam ter somente um sentido funcional, mas também simbólico (Twardowsky, Bandeira e Pascoal Leite de Camargo Guedes).

 

Estudo feito por pesquisadores brasileiros e ingleses, publicado na Royal Society Open Science, a partir de dados coletados nos sambaquis Morro do Ouro e Rio Comprido, em Joinville (SC), menciona que o “alto consumo de alimentos ricos em carboidratos [...] sugere que o sustento de suas populações estava baseado em uma economia mista [...], que aliava a pesca e a coleta de frutos do mar com alguma forma de cultivo de plantas”, conforme menciona Pezo-Lanfranco, do Instituto de Biociências (IB) da USP, primeiro autor do artigo.

Conforme o estudo:

 

De acordo com a visão tradicional da arqueologia pré-histórica na América do Sul, os caçadores-coletores que habitavam os sambaquis proveriam seu sustento primordialmente a partir da exploração de recursos marinhos. Tal ideia começou a ser contestada nos anos 1980, a partir do surgimento de evidências dando conta de que teria existido nos sambaquis uma economia muito mais diversificada.

Um dos principais indícios a sugerir a ocorrência de uma dieta mais variada nos sambaquis foi a constatação da existência de cáries nos dentes dos esqueletos enterrados, interpretada como decorrência direta do elevado consumo de carboidratos.

Outra pista importante foi a identificação [...] de restos de possíveis culturas incipientes, como tubérculos (inhame e batata-doce), milho, palmeiras e anonáceas (a família da fruta-do-conde e da graviola).

As análises revelaram o consumo inesperadamente alto de recursos vegetais, ou seja, de carboidratos, entre as populações que habitaram o sambaqui Morro do Ouro do litoral norte de Santa Catarina durante o Holoceno Médio (de 8 mil a 4 mil anos atrás).


A Baía da Babitonga possui aproximadamente 150 sítios arqueológicos de sambaquis, sendo que 42 deles estão localizados no município de Joinville, conforme Twardowsky, Bandeira e Pascoal Leite de Camargo Guedes. E para Pezo-Lanfranco, “a alta frequência e o grande volume de alguns sambaquis na costa sul do que é hoje o Brasil, contendo centenas de enterramentos humanos, são considerados evidências da alta densidade populacional, de arquitetura monumental e da complexidade social dos sambaquis durante o Holoceno Médio e Tardio”.

As autoras acima citadas mencionam que, “a exploração dos sambaquis, iniciada pelos colonizadores portugueses”, e continuada pelos imigrantes europeus, no Séc. XIX, “se deu em função das conchas serem transformadas em cal pela ação do fogo” nas caieiras, como as presentes no Parque Natural Municipal da Caieira.

Para mais informações sobre os sambaquis de Joinville, pode-se pesquisar em:

Twardowsky, A. C., Bandeira, D. da R., Pascoal Leite de Camargo Guedes, S. (2022). Um olhar para o estado de conservação dos sambaquis urbanos de Joinville. Revista Escritas, 13(02), 137–155. Disponível em: https://doi.org/10.20873/vol13n02pp137-155. Acesso em: 14 set. 2026.

USP. Povos construtores de sambaquis tinham dieta sofisticada. Jornal da USP. 26 nov. 2018. Disponível em: https://jornal.usp.br/ciencias/ciencias-humanas/povos-construtores-de-sambaquis-tinham-dieta-sofisticada. Acesso em: 14 set. 2026.

Oliveira, M. S. C. Os sambaquis da planície costeira de Joinville, litoral norte de Santa Catarina: geologia, paleogeografia e conservação in situ. 2000. 328 p. Dissertação (mestrado em Utilização e Conservação de Recursos Naturais) – Centro de Filosofia e Ciências Humanas, UFSC, Florianópolis, out, 2000. Disponível em: https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/78655. Acesso em: 14.set.2026.

Visita virtual guiada: https://sambaquijoinville.sitevr.com.br. Acesso em: 14 set. 2026.

O Museu Nacional de Imigração e Colonização guarda memórias, histórias e objetos relacionados à imigração no Sul do Brasil, com espaços expositivos que contam histórias da vida rural e urbana da região de Joinville.

Outras três edificações, que integram o museu, encontram-se fechadas por absoluta falta de manutenção e pessoal. A primeira, denominada galpão de tecnologia patrimonial, construída em 1963 em técnica enxaimel, está fechada desde fevereiro de 2013 por apresentar problemas estruturais. A segunda, uma construção de 1905, também em enxaimel e presente no museu desde 1979, está fechada por falta de pessoal, e tem por objetivo mostrar a moradia comum de grande parcela de imigrantes de classe média de Joinville entre o final do século XIX e início do XX. A terceira edificação, também fechada por falta de pessoal, é de construção recente, e abriga exemplares de engenhos de farinha, de erva-mate, moenda de cana-de-açúcar, carroças, carrinhos de mão, instrumentos dos ofícios e modos de saber-fazer dos habitantes das pequenas propriedades rurais com mão-de-obra familiar e produção diversificada, além de acessórios para montaria. Merece destaque o carroção de São Bento (São Bentowagen) que trazia produtos, principalmente erva-mate, da região de São Bento do Sul para Joinville, via Estrada Dona Francisca.

Inicialmente fazia parte do terreno sobre o qual está construída a Maison de Joinville, a Palmenalle Straße (Rua das Palmeiras, em alemão), como integrante do jardim e principal acesso. Em 1870, Frédéric Brüstlein concluiu a construção da casa, como sua residência e sede administrativa da Colônia Dona Francisca e para o jardim, solicitou que se trouxessem, do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, sementes de palmeiras imperiais. Foram plantadas, entre 1871 e 1873, 56 exemplares, número que diminuiu para 52, quando da divisão do terreno para a abertura da Rua Rio Branco, que passa em frente ao museu. Atualmente, na Rua das Palmeiras, há em torno de 90 palmeiras imperiais, uma delas, com rara bifurcação. Merece destaque na rua, o busto de Dona Francisca, criado pelo artista Fritz Alt, em 1926.

O Instituto Internacional Juarez Machado -IIJM- é “um espaço para pensar, aprender, apreciar ou expor arte” inaugurado em 2014, “com dois pavilhões e a casa restaurada dos pais do artista [...], como um sonho [...] para estimular a consciência das artes” em Joinville e no norte catarinense.

Consta em seu sítio eletrônico, que o IIJM foi concebido para promover “exposições, cursos, palestras, debates e ações educativas, expondo obras dos mais de 60 anos de carreira de Juarez Machado”. Menciona também que “o espaço acolhe [...] uma biblioteca artística, reserva técnica e uma pequena boutique com produtos exclusivos. A programação inclui mostras de artistas nacionais e internacionais, lançamentos literários, apresentações cênicas e musicais, seminários e encontros”.

Juarez Machado é um artista plástico joinvilense, nascido em 16 de março de 1941. É pintor, escultor, desenhista, caricaturista, mímico, cenógrafo, escritor, fotógrafo e ator. Na metade dos anos 1960, mudou-se ao Rio de Janeiro, lá permanecendo por vinte anos. Em 1986 mudou-se à Paris, e lá montou seu principal ateliê, sem prejuízo dos ateliês de Joinville e Rio de Janeiro.

O Parque Zoobotânico de Joinville é um parque no qual há um pequeno zoológico, com lago, parque infantil, trilha ecológica, abrigando animais da fauna silvestre brasileira, como várias espécies de aves, jacarés, jabutis, macacos e outros animais em cativeiro. Está localizado na Área de Relevante Interesse Ecológico (ARIE) do Morro da Boa Vista. Localizado na região central da cidade, onde antes havia o Camping Clube de Joinville, o Zoobotânico foi criado em 30 de dezembro de 1992, e é destinado à preservação, à conservação, ao lazer e à educação ambiental, através do aproveitamento da vocação natural da região. Inserido no Bioma Mata Atlântica, tem como objetivos principais a valorização do remanescente desta mata e a conservação deste ecossistema. O Parque Zoobotânico tem 52.500 m² de área total e possui plano de manejo, que trata dos objetivos, normas, procedimentos e critérios de gestão administrativa.

Na ARIE do Morro da Boa Vista, com 390 ha, distribuídos entre áreas públicas e privadas, vale a pena a visita ao mirante, no topo do morro, que está a aproximadamente 250 msnm, de onde é possível observar a cidade e arredores e sua expansão sobre áreas de mangue e de restinga, entre a Baía da Babitonga e a Serra Dona Francisca. Além da vista em 360o, vale o passeio pela passarela que circunda o morro, entre vegetação nativa e que conduz à Janela do Mirante. Desde a entrada, no sopé do morro, até a base do mirante de concreto, são 2,3 km de subida.

O bairro Espinheiros está localizado à leste do centro da cidade, junto à Baía da Babitonga, na Lagoa Saguaçu, conhecida por sua forte essência marítima e belas paisagens. Conta com vários restaurantes especializados em frutos frescos do mar, é ponto de partida do barco Príncipe em passeio pela Baía da Babitonga em direção à Ilha de São Francisco do Sul e é local para se apreciar o pôr do sol, os manguezais com presença de guarás, o trapiche flutuante, de recente construção, e o monumento Porta do Mar.

Sambaquis são locais, nos quais se encontram vestígios de interesse científico e cultural, fundamentais para a história, considerados Patrimônio Cultural Brasileiro. São sítios arqueológicos resultantes da ação de antigas populações que ocupavam regiões junto a manguezais, lagoas e rios, de onde captavam parte de seus alimentos, há aproximadamente 8.000 e 2.000 anos. Dados do Museu Arqueológico de Sambaqui de Joinville, fazem referência a que a datação mais antiga do Sambaqui Morro do Ouro seja de 4.030 anos antes do presente, com margem de erro de mais ou menos 40 anos.

Conforme Twardowsky, Bandeira e Pascoal Leite de Camargo Guedes,

 

O Sambaqui Morro do Ouro localiza-se próximo ao rio Cachoeira, em uma região movimentada da cidade, próximo a Ponte do Trabalhador no bairro Guanabara. O sítio sofreu algumas atividades antrópicas, como retirada de material para construção de estradas ou escavação arqueológica para construção da Ponte do Trabalhador, o que reduziu significativamente sua dimensão.


Em 2011, sobre o sambaqui Morro do Ouro, um dos maiores, mais importantes e mais antigos da região, construiu-se um mirante e uma passarela para ajudar em sua preservação em relação à acelerada erosão por impacto humano, permitindo-se ao público imaginar como seriam as vistas que os sambaquianos e seus sucessores, os Itacomé e os Tupi-guarani, usufruíam há milhares de anos. Também, durantes estas intervenções, foram adicionadas cercas para sua maior proteção, mas delas só restam algumas estruturas metálicas, denotando falta de manutenção, que possibilitou a destruição mecânica por aberturas alternativas de caminhos ao topo do sambaqui, bem como deposição generalizada de resíduos sólidos e rejeitos. Seria recomendável intervenção da administração pública local para assegurar sua conservação e limpeza, que deveria ser frequente e criteriosa, para não danificar o sítio arqueológico.

O Parque Natural Municipal da Caieira é uma unidade de conservação de proteção integral, no bioma Mata Atlântica, em ecossistema de floresta de restinga e manguezal, junto à Lagoa do Saguaçu, localizado parte em área urbana e parte em área rural, na região centro-leste de Joinville. Foi criado em 18 de março de 2004, como resultado de Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), promovido pelo Ministério Público Federal contra a Tupy Fundições Ltda. e a Fundação do Meio Ambiente, devido aos danos causados, pela empresa, ao meio ambiente.

O Parque Caieira é considerado patrimônio histórico, arquitetônico, arqueológico e ambiental de Joinville, e o objetivo de sua criação é, segundo seu plano de manejo, o de


preservar e proteger a história de Joinville, e em especial, conservar um dos últimos remanescentes do ambiente de manguezal e restinga junto ao perímetro urbano do município. Ainda, o PNMC possibilita ao público em geral, o acesso a ambientes ecológicos para o lazer, ativo e contemplativo, em contato com a natureza e atividades educativas, de pesquisa e turismo. Com uma área de cerca de 147,06 ha (1,47 km²), inserido às margens da Lagoa do Saguaçu, o Parque abriga um patrimônio histórico-arqueológico, representado pelo Sambaqui Lagoa do Saguaçu, as oficinas líticas de polimento Lagoa do Saguaçu e Caieira e as estruturas da antiga caieira (especialmente os fornos), além dos remanescentes dos antigos apiário e curtume, que formam um conjunto único, com elementos e testemunhos da ocupação humana desde o período pré-colonial.


Ainda conforme o plano de manejo,


A origem do nome do Parque se deu pela exploração do sambaqui ali existente, considerado até 1960 como uma jazida natural de conchas, utilizadas na fabricação da cal através da queima em antigas indústrias conhecidas como “caieiras”. A queima ocorria a céu aberto ou em fornos rudimentares. Na década de 1960, com a promulgação da Lei Federal nº 3924/1961, os sambaquis foram considerados sítios arqueológicos, devendo ser preservados. A Caieira Lagoa do Saguaçu iniciou suas atividades no final do século XIX se estendendo até a década de 1940 quando as atividades da indústria de cal cessaram.


À entrada do parque há uma edificação com guarita, sanitários e uma área expositiva com conteúdos sobre o parque e animais da região. Desta entrada à beira da Lagoa do Saguaçu dista aproximadamente um quilômetro, por uma via principal, com acessibilidade, e trilhas paralelas. Mas, assim como no sambaqui Morro do Ouro, também no Parque da Caieira observa-se flagrante ausência de manutenção, pois é permitida a visita a apenas uma ínfima parte de seus atrativos arqueológicos (sambaqui Saguaçu e oficinas líticas), arquitetônicos e ambientais, haja vista que as edificações que abrigam as caieiras estão em estado de ruína.

Para mais informações sobre o Parque Natural Municipal da Caieira, pode-se pesquisar em:

JOINVILLE. Secretaria de Meio Ambiente. Unidade de Gestão Ambiental. Plano de Manejo do Parque Natural Municipal da Caieira. Joinville: SAMA, 2021. Disponível em: https://www.joinville.sc.gov.br/wp-content/uploads/2024/08/Plano-de-Manejo-do-Parque-Natural-Municipal-da-Caieira.pdf. Acesso em 19 set. 2026.

O Parque Hemero nasceu do sonho do ex-contador de uma grande empresa de Joinville, Dario Bergemann e de sua esposa, Neusa Bergemann, que começaram com um pequeno serviço de manutenção de jardins e cultivo. O caso de um jardim que deu errado, nas palavras do proprietário, que deveria ser constituído apenas por flores amarelas, mas que resultou em uma mescla de cores, propiciou a busca por maiores informações sobre os hemerocallis (lírios) nos Estados Unidos da América, os maiores estudiosos da espécie. Com o apoio do Ministério da Agricultura conseguiram importar mudas e a partir deste aprendizado criaram um espaço para exibir a planta ao público. Em 2014, ampliaram-se os jardins para incluir novas espécies, consolidando o local como o maior produtor de hemerocallis da América Latina e referência em paisagismo. Hoje, o Parque Hemero conta com mais de 56.000 m2 de área, com áreas de cultivo, áreas de venda de plantas, cafeteria, espaços para eventos e fotos, trilhas ecológicas, jardins temáticos e um grande parque infantil, além de festivais sazonais, como o de girassóis, da primavera e das borboletas.